23/8/08
Capricho para transformar uva em vinho

Na Conversa de Botequim de hoje vamos retornar ao Sítio Morro Grande onde o amigo José Carlos Osso exercita seu talento e criatividade produzindo vinhos de diversos tipos, todos eles primando pela qualidade e o capricho presentes durante todo processo.
Desde que comprou o sítio que pertenceu à família Sesti, no bairro da Ponte Nova, no final da década de 80, Osso procurou conhecer mais profundamente as técnicas e informações necessárias para a produção artesanal de vinhos, como faziam seus antepassados na Itália, numa tradição que se mantém viva em todas as regiões, que, a exemplo de Itatiba, abrigaram imigrantes italianos.

Começou recuperando o parreiral do sítio e comprando uvas do Rio Grande do Sul, principalmente Isabel e Bordeaux. Batizou o vinho de “Guiuseppe Osso” em homenagem ao bisavô. Serviu a família e os amigos e o excedente da produção foi comercializado entre os conhecidos. Experimentou também a Cabernet Franc e a Niágara branca.
Há alguns anos, Osso decidiu plantar uma uva híbrida desenvolvida pelo Instituto Agronômico de Campinas. A uva IAC 138 é resultado do cruzamento da Seibel e Syrah. Com ela Osso produziu um novo vinho, o “Capa Preta” em homenagem aos trajes usados pelos maçons. Com este novo vinho Osso conquistou, em 2007, o segundo prêmio no Simpósio de Vitivinicultura promovido pela Unicamp, que teve a participação de 25 produtores da região.

Sempre disposto a enfrentar novos desafios, Osso agora está produzindo, sempre de maneira artesanal, um vinho branco frisante ou espumante, popularmente conhecido como champagne. A técnica é trabalhosa e exige que o vinho branco seja engarrafado com um pouco de açúcar e leveduras, que na garrafa fechada vão se transformar em gás carbônico. A garrafa repousa de cabeça para baixo várias semanas para que pequenas partículas resultantes do processo se concentrem na boca da garrafa. Só a boca da garrafa é congelada para a retirada desse material e rapidamente fechada com a rolha. Quem vibra com o estouro do espumante nem imagina a trabalheira para se produzir a bebida.

Na mesa, ao redor de uma bela polenta à moda italiana, percebemos que ninguém estava de dieta e prosseguimos ouvindo as histórias saborosas do Osso e seus amigos inseparáveis: Pichú (João Batista), Mário e Eduardo, todos de sobrenome Sesti e também do Português. Auguri!
Rogério Scavone é jornalista. E-mail: r.scavone@terra.com.br
Blog: http://butecoitatiba.blog.terra.com.br
Publicado no Jornal de Itatiba 05.07.2008
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