21/6/08
O sabor da Itália no sÃtio Morro Grande

Hoje vamos mostrar mais um produtor artesanal de cachaça de Itatiba, que, a exemplo de outros, exerce a atividade mais por prazer e tradição, do que por interesse comercial.
A história que levou José Carlos Osso a se estabelecer no Sítio Morro Grande, no bairro da Ponte Nova está repleta de coincidências, amizades ao longo de gerações que se mantêm até hoje, causos divertidos, episódios emocionantes, tudo isso acompanhado dos desafios e prazeres comuns aos pequenos produtores rurais, em sua maioria de origem italiana, que se estabeleceram em Itatiba nas primeiras décadas do século XX.

Português, Pichú, Eduardo, Mário e Osso ao lado do fogão de lenha.
José Carlos, que morava em São Paulo, quando criança passava as férias no sítio de Antonio Rigollo, amigo de seu pai Savério Osso. A amizade familiar continuou com Antonio Sesti e seus familiares, ficou escondida sob a poeira do tempo e ressurgiu surpreendentemente muitas décadas depois, quando Osso, depois de trabalhar em várias cidades, já perto de se aposentar decidiu comprar uma propriedade e o Sítio Morro Grande, o mesmo das lembranças da infância, praticamente lhe caiu no colo.

O pequeno alambique de onde nasce a “Princesa da Colina”.
As fotos na parede e a reunião costumeira, aos sábados, mostra que os laços de amizade continuam fortes. Osso nos recebeu na companhia de Pichú (João Batista), Mário e Eduardo, todos de sobrenome Sesti e também do amigo Português. O cardápio ao sabor da Itália incluiu uma sensacional polenta de fubá branco, feita no fogão de lenha e estendida na tábua, acompanhada de molho à bolonhesa (carne moída e tomate) e pernil.

Produção artesanal não abre mão da qualidade.
Como aperitivo experimentamos a puríssima cachaça “Princesa da Colina” na versão branca e outra amarela, envelhecida em carvalho. Osso é cuidadoso, prepara cerca de 700 litros de cachaça por ano, mas faz questão da qualidade, aferida em análises laboratoriais especializadas.

Polenta na tábua à moda italiana.
Durante o almoço, o anfitrião nos ofereceu outra preciosidade produzida no Sítio Morro Grande: o vinho tinto “Capa Preta” feito a partir de uma uva híbrida chamada IAC 138, cruzamento da Seibel e Syrah, que conquistou um prêmio em um Simpósio de Vitivinicultura promovido pela Unicamp em 2007.
Como o espaço acabou, os vinhos e outras histórias do Sítio Morro Grande, pintadas com as cores e sabores da bandeira italiana, ficam para uma próxima matéria. Salute per tutti !!!
Rogério Scavone é jornalista. E-mail: r.scavone@terra.com.br
Blog: http://butecoitatiba.blog.terra.com.br
Publicado no Jornal de Itatiba em 14.06.2008.
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