Buteco Itatiba

Guia dos Bares de Itatiba SP produzido pelo jornalista Rogério Scavone

26/6/07

D. Carolina, cachaça com feitio de cana e coração

Cachaçaria Dona Carolina: espaço requintado e de bom gosto.

Para se realizar um sonho são necessários alguns ingredientes básicos como uma boa idéia, conhecimento, competência, além de uma dose generosa de paixão. Pois a Cachaça Dona Carolina é resultado de tudo isso, uma bebida nobre feita com ingredientes de qualidade e um processo controlado com requintes de perfeição.
Chico Santa Rita é jornalista dos bons, tendo trabalhado na Editora Abril e Rede Globo. É um dos pioneiros do Marketing Político e coordenou campanhas históricas como a que levou Orestes Quércia, do último lugar nas pesquisas, ao governo de São Paulo; trabalhando também para eleger seu sucessor, Luiz Antonio Fleury Filho. Foi Chico quem comandou o final da campanha vitoriosa de Collor para a presidência da República.
Empresário do ramo hoteleiro, Chico Santa Rita sempre apreciou uma boa cachaça, inicialmente como consumidor, em seguida como estudioso pesquisador e hoje como produtor. O resultado é a Cachaçaria Dona Carolina implantada na fazenda de café do século XVIII, transformada no hotel fazenda 5 estrelas Dona Carolina na estrada entre Itatiba e Bragança.
A cana é plantada na própria fazenda a partir de mudas selecionadas. Aparelhos sofisticados medem digitalmente o teor de açúcar e o ponto correto de maturação. O corte é manual, sem queima e a moagem é feita no mesmo dia, tudo para garantir a qualidade. A assepsia das instalações é coisa de hospital. O alambique é um espetáculo a parte, com suas peças de cobre que vão destilar o suco da cana fermentado proporcionando o nascimento da aguardente.

 

Os alambiques de cobre onde nasce a cachaça.

A cabeça (parte inicial do processo de destilação, de alto teor alcoólico) e o rabo (parte final do processo, de baixo teor) são separados e redestilados para serem usados como álcool combustível. A “Dona Carolina” é feita com o “coração”, a parte mais nobre e pura do destilado. Coisa digna de poesia.
Depois de descansar em dornas de jequitibá-rosa a caninha vai envelhecer por um ano em berços de carvalho escocês (tonéis de 180 litros que armazenaram malte). São 400 tonéis abrigados no piso inferior da cachaçaria, com clima e umidade controlados. Cuidados dignos de uma maternidade.

 

O berçário com os tonéis de carvalho.

Para comemorar o nascimento da Cachaça Dona Carolina, o Chico montou um espaço nobre, agradavelmente decorado, que é um misto de bar e salão de festas, sem similares na região. Lá os hóspedes do hotel ou visitantes ocasionais podem provar a bebida produzida ali mesmo ou optar por experimentar alguma das 450 outras marcas de cachaças disponíveis num armário de madeira e vidro todo iluminado que mais parece a visão de um paraíso.
A Dona Carolina começa a ser comercializada este ano (cerca de 47 mil litros), mas o Chico Santa Rita reafirma o cuidado e a preocupação de manter a produção artesanal limitada, até para garantir o padrão e a qualidade. Uma visita virtual pode ser feita no site www.cachacadonacarolina.com.br, mas quem quiser conhecer o produto mais rapidamente pode visitar o Empório Itatiba, na Rua Atílio Lanfranchi, próximo da Apae. Mas tenho certeza que em pouco tempo a Dona Carolina estará disponível nas prateleiras e balcões dos bons butequins de Itatiba.

Bebida de qualidade feita com o coração.

Rogério Scavone é jornalista. E-mail: r.scavone@terra.com.br

Matéria publicada no Jornal de Itatiba Diário de 02/06/2007.

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23/6/07

Saudades do Bar do Bolinha

 

Bolinha comandando o balcão com simpatia e bom humor.

 

Muitos leitores e apaixonados por botecos têm sugerido que esta despretenciosa coluna enfoque alguns bares do passado que deixaram saudades. A idéia não é ruim, mas exige pesquisa e trabalho dobrado. Isso não impediu que o Pedrão Ortiz, com a ajuda do Cunha, resgatassem uma dessas relíquias, no texto seguinte:
Hoje vamos prestar uma homenagem ao sr. Álvaro Figlia, popularmente conhecido como Bolinha, que infelizmente já deixou o nosso convívio. Bolinha era figura querida, muito conversador e dono de uma simpatia incomum. Começou sua vida no bairro de Tapera Grande e tinha muito orgulho de sua habilidade como fabricante de cestos. Vindo para a cidade, a família de Bolinha adquiriu o Mercadinho São Paulo, na época localizado a Av. Expedicionários Brasileiros, esquina com Rua Cel. Peroba, sendo que ali trabalhavam todos os seus familiares.
Bolinha também trabalhou como canteiro (assentador de paralelepípedos), feirante e caminhoneiro. Ele e um sócio compraram a Cantina Avenida, muito famosa em tempos passados e que funcionou na Av. Marechal Deodoro. A Cantina era lugar de encontros e acontecimentos políticos da época, e vamos lembrar de um deles: Determinado candidato, contando com a certeza da vitória e que a eleição para prefeito já eram favas contadas, reuniu todo seu pessoal, discípulos, delegados de partido, fiscais, cabos eleitorais, amigos, para já então no mesmo dia da eleição comemorar a vitória. Transformaram a Cantina em palco de grande festa, enquanto o pessoal do outro candidato trabalhava com uma garra incomum, até o último voto, transportando eleitores, levando-os, inclusive até a urna, dada a falta de fiscalização. Resultado da apuração: a fábula da formiga e da cigarra.

 

O registro da inauguração do Bar e Mercearia do Bolinha.

 

Bolinha e seu irmão Onedes Figlia montaram o Bar do Bolinha onde hoje funciona o Banco Itaú, na Rua Francisco Glicério. O estabelecimento era freqüentado clientes folclóricos e pitorescos, boêmios e fanfarrões e tornou-se ponto de parada imperdível para muita gente. Dentre todas as muitas aprontadas dos amigos freqüentadores destaca-se a “corrida dos pelados”, inspirada na famosa “chispada”, protagonizada por um inglês lá pelas bandas européias. Nas noites muito frias em que as ruas ficavam totalmente esvaziadas, por conta de uma aposta entre amigos beberrões, vários freqüentadores do Bar do Bolinha percorreram parte das ruas do centro da forma que vieram ao mundo, ou seja, totalmente nus, sendo que um deles deu uma volta triunfal pela Praça da Bandeira.
Para encerrar, não poderíamos deixar de citar aqui neste nosso trabalho, o filho do Bolinha, o Marcos Eduardo Figlia, o Dú, figura muito simpática e hoje presente em todos os acontecimentos músico-culturais de nossa cidade e que, apesar das limitações que a vida lhe impôs, é pandeirista de mão cheia e não deixa de forma alguma o samba cair. Dú sempre acompanha o conjunto Brasil Seresta, do Brito, de quem é grande amigo. É também fã de carteirinha dos Seresteiros e toda sua turma, já tendo participado de várias apresentações.
O “Bar do Bolinha” alegrou muitas pessoas “especiais” que o freqüentaram e com certeza deixou muita saudade, marcando uma geração, por isso a nossa homenagem em “Conversa de Botequim”.

 

Gosto especial pela música e os amigos.

 

Rogério Scavone é jornalista. E-mail: r.scavone@terra.com.br

Publicado no Jornal de Itatiba em 23/06/2007.

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20/6/07

Encontro de craques no CRN Futebol Show

Os legendários jogadores do clássico do ano.

O dramaturgo, escritor e cronista esportivo, Nelson Rodrigues definiu o Brasil como um “Celeiro de Craques”, dizendo que “o nosso futebol é de uma variedade, de uma riqueza impressionante. O sujeito não dá um passo, aqui, sem esbarrar, sem tropeçar num craque. Eles surgem aos borbotões, em cada esquina, em cada café, em cada boteco. Nas peladas de rua, a gente encontra, de pé no chão, autênticos virtuosos da bola.”

Pois foi o que confirmei surpreso ao acompanhar o CRN Futebol Show, um dos principais eventos esportivos do calendário nacional de 2007, superado apenas pelos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro. O anfitrião foi Gilmar Koslowski, colaborador da Rádio CRN na cobertura da última Copa do Mundo de Futebol, realizada na Alemanha. O jogo do ano foi entre a equipe dos Amigos do Gilmar (usando o uniforme rubro-nego do Itatiba E. C.) e a gloriosa esquadra alvi-celeste da Rádio CRN (com uma camisa que lembra as seleções da Argentina ou Uruguai).

Alichela e berinjela de tira-gosto.

O árbitro que atuou tendenciosamente, mais parecendo um fanático torcedor, foi Osmar Dalcin, que acabou prejudicando irremediavelmente o espetáculo. O destaque técnico ficou com o Luiz, que na juventude dos seus 69 anos deu um verdadeiro show de bola, deixando o Ricardinho Marcondes, nosso preferido Rei Momo e colaborador esportivo, literalmente plantado no chão, depois de drible desconcertante.

Osmar, Luiz e Gilmar, estrelas do CRN Futebol Show.

Gilmar, que acompanhou in loco as últimas 5 edições da Copa do Mundo de Futebol, mostrou sua generosa hospitalidade, ao lado da adorável esposa Keila e dos filhos Luciano, Karina e Lucas. Mesmo sem poder participar da partida, o que sem dúvida alguma poderia aumentar as chances de vitória da equipe da rádio, aproveitei integralmente o churrasco de confraternização, com direito a aperitivo de berinjela e alichela e chopp Ashby, claro e escuro, com a assistência do Paulo Degani.

Para completar, um churrasco profissional, sob a coordenação do Mauro (que em breve estará lançando o Clube do Churrasco), com o apoio do xará Rogério, também conhecido por X. O único senão da festa é que a cobertura esportiva da CRN, improvisada com o Richard, ainda não chegou à conclusão sobre o resultado final do grande clássico. Mas também isso é o que menos importa nesta história.

Mauro e Rogério cuidaram com carinho da churrasqueira.

Matéria publicada na edição de 16 de junho de 2007.

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Buteco Itatiba

Buteco Itatiba

A versão virtual da coluna “Conversa de Botequim” publicada aos sábados no Jornal de Itatiba Diário

Bar XV de Novembro - Década 50

O Jornal de Itatiba Diário publica semanalmente, aos sábados, desde abril de 2005, a série “Conversa de Botequim”, produzida pelo jornalista e fotógrafo Rogério Scavone, que apresenta um verdadeiro guia de bares e restaurantes de Itatiba-SP e região, enfocando aspectos históricos, culturais, curiosidades e eventos, num texto leve e descontraído, sempre com muito bom humor. As matérias, publicadas sempre na capa em 4 cores do caderno Variedades, são ilustradas com fotografias dos estabelecimentos, dos proprietários e fregueses, dos tira-gostos, aperitivos e bebidas; despertando sempre a atenção dos leitores e tornando a leitura obrigatória na maioria dos bares e lares da cidade. Comemorando os dois anos de existência da coluna “Conversa de Botequim”, Rogério está lançando este Blog com a versão virtual e enriquecida da série impressa. A intenção é ampliar a interação com o público e estimular a participação e colaboração dos amigos que partilham a convivência democrática e informal dos balcões e mesinhas dos butecos.

JORNAL DE ITATIBA: O Jornal de Itatiba Diário é o principal veículo impresso de Itatiba. Fundado em 1973 está em atividade há 34 anos, possuindo uma invejável carteira de assinantes e clientes, que atestam a sua responsabilidade editorial e ótimo desempenho comercial. O site é www.ji.com.br

ROGÉRIO SCAVONE: Rogério Scavone é jornalista, formado em Comunicação Social pela PUCC e fotógrafo com larga experiência na imprensa e em atividades culturais. É colaborador do Jornal de Itatiba Diário na produção de artigos editoriais e na série “Conversa de Botequim” e colaborador da Rádio CRN – AM. Contato: Rogério Scavone tel: (11) 4538-0233 e-mail: r.scavone@terra.com.br

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